Os métodos e técnicas para a Educação a Distância (EAD) devem transcender a simples transposição de materiais físicos para o digital, focando em estratégias que promovam o engajamento e a autonomia do estudante. O uso de metodologias ativas, como a sala de aula invertida e a aprendizagem baseada em problemas, aliada a ferramentas de curadoria digital, permite que o conteúdo seja explorado de forma flexível. Nessa modalidade, a técnica não deve ser um fim em si mesma, mas um meio para criar roteiros de aprendizagem que respeitem o ritmo do aluno adulto e favoreçam a construção do conhecimento de forma organizada e acessível.
Sob a perspectiva de Vigotski, a interatividade é o motor do desenvolvimento cognitivo, ocorrendo através da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). Na EAD, isso significa que a plataforma e as ferramentas de comunicação devem atuar como mediadores que facilitam a interação entre professor e aluno, e entre os próprios pares. O aprendizado não é um processo isolado; ele se consolida na troca social e na linguagem. Assim, fóruns de discussão e atividades colaborativas são fundamentais para que o estudante saia de um nível de conhecimento real para um nível potencial, mediado pela tecnologia e pelo diálogo.
No que tange ao currículo, aprendizagem e docência para EAD, a prática educativa exige uma reconfiguração do papel do professor, que deixa de ser o detentor do saber para se tornar um designer de experiências de aprendizagem e um tutor facilitador. O currículo na EAD precisa ser fluido e interconectado, integrando tecnologias assistivas e princípios do Desenho Universal para Aprendizagem (DUA) para garantir que todos tenham acesso ao saber. A docência, portanto, torna-se uma prática de mediação constante, onde planejar o currículo significa prever múltiplos caminhos para que a aprendizagem ocorra de forma significativa e inclusiva.