A experiência do adulto ajuda ou pode dificultar a aprendizagem?

A experiência do adulto ajuda ou pode dificultar a aprendizagem?

por IZABELA BADARO MACHADO DE OLIVEIRA -
Número de respostas: 1

Na perspectiva da andragogia, as experiências que o adulto traz para o processo educativo são consideradas importantes para a construção de novos conhecimentos. Entretanto, fico pensando: será que essas experiências são sempre facilitadoras da aprendizagem?

Ao mesmo tempo em que os conhecimentos prévios podem ajudar o adulto a relacionar o conteúdo com situações concretas de sua vida e de seu trabalho, algumas concepções já consolidadas podem dificultar a abertura para novas formas de pensar e aprender.

Diante disso, gostaria de saber a opinião de vocês: como o professor pode aproveitar as experiências dos adultos sem deixar de provocar novos questionamentos e aprendizagens?

Em resposta à IZABELA BADARO MACHADO DE OLIVEIRA

Re: A experiência do adulto ajuda ou pode dificultar a aprendizagem?

por Gislaine de Oliveira -

Olá, Izabela! Excelente reflexão. Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), vemos na prática que a bagagem de vida do estudante é a matéria-prima do ensino, mas realmente não pode ser o ponto de chegada. O caminho para aproveitar essas experiências sem reforçar concepções limitantes passa pela problematização, um conceito central na pedagogia de Paulo Freire.

O professor atua como um mediador que acolhe a vivência do adulto e, em vez de invalidá-la, propõe perguntas que desestabilizam certezas absolutas. Quando um adulto relata uma experiência de vida ou de trabalho para justificar uma visão engessada do mundo, podemos introduzir um novo cenário, perguntando: "Como esse seu conhecimento prévio se aplicaria diante desta nova realidade?". Assim, a experiência anterior serve como uma ponte para o novo conhecimento, e não como uma âncora que o prende ao passado. É o diálogo horizontal, somado ao respeito pela trajetória do aluno, que permite essa abertura gradual para novas formas de pensar.