Olá, Izabela! Excelente reflexão. Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), vemos na prática que a bagagem de vida do estudante é a matéria-prima do ensino, mas realmente não pode ser o ponto de chegada. O caminho para aproveitar essas experiências sem reforçar concepções limitantes passa pela problematização, um conceito central na pedagogia de Paulo Freire.
O professor atua como um mediador que acolhe a vivência do adulto e, em vez de invalidá-la, propõe perguntas que desestabilizam certezas absolutas. Quando um adulto relata uma experiência de vida ou de trabalho para justificar uma visão engessada do mundo, podemos introduzir um novo cenário, perguntando: "Como esse seu conhecimento prévio se aplicaria diante desta nova realidade?". Assim, a experiência anterior serve como uma ponte para o novo conhecimento, e não como uma âncora que o prende ao passado. É o diálogo horizontal, somado ao respeito pela trajetória do aluno, que permite essa abertura gradual para novas formas de pensar.